sábado, dezembro 15, 2007

Sem qualquer hipótese de emprego em Portugal muitos resolvem emigrar

Voltamos de novo a ser um país de emigrantes dado que não existem alternativas de emprego para quem termina uma licenciatura um simplesmente desista de estudar e neste caso o drama ainda é maior. Vários pessoas têm partido para Angola, outras algumas das quais conheço pessoalmente emigraram para a Inglaterra. Entretanto o nosso mercado de emprego vai absorvendo os imigrantes oriundos dos países de leste, do Brasil e de África, os quais se sujeitam a ganhar salários de miséria, sem regalias sociais e trabalhando para além das horas normais que as Leis laborais permitem.
As perspectivas dos que aguardam uma oportunidade de iniciar uma carreira, ou de dar continuidade ao exercício da função que antes de experimentar o desemprego desempenhavam são cada vez mais escassas, direi mesmo inexistentes.

Todos os dias em vários sectores de produção nos deparamos com a realidade de uma enorme percentagem dos efectivos de determinada empresa serem ocupados por emigrantes facilmente identificáveis pelo sotaque. Obviamente que não podemos ter nada contra esse facto porquanto uma percentagem significativa de portugueses encontraram noutros países a sua saída para garantir a sua sobrevivência e a da sua família, muitos do quais pura e simplesmente abandonaram a ideia inicialmente de quando atingissem a sua reforma voltarem à sua terra natal.
Os que o fazem, são em número muito reduzido, pelas mais variadas razões.
A primeira prende-se com os seus filhos alguns dos quais naturais dos países de acolhimento e no caso daqueles que casaram lá, fizeram deles a sua terra.
A segunda prende-se com a assistência médica e medicamentosa que lhes é proporcionada pelos países de acolhimento que é francamente melhor do que aquela que podem usufruir no seu país.
Por outro lado a escola neste país, face aos sucessivos erros governativos nas suas opções de política na educação, não são capazes de formar, porque não existem meios nem programas nem cursos específicos para os respectivos candidatos ao primeiro emprego encontrarem imediatamente resposta, após conclusão dos seus cursos, como acontece apenas e só com aqueles que terminam a licenciatura em medicina e como sabemos nem sequer chegam para colmatar a carência do SNS, tendo este de recorrer ao recrutamento de médicos noutros países europeus, como se constata nos hospitais públicos e até nalguns Centro de Saúde. E porque quer o actual governo quer as forças partidárias que constituem a oposição são incapazes de encarar o problema com seriedade e duma vez por todas reestruturarem o sistema de educação, conferindo-lhe a necessária capacidade para formar gente que, tal como os médicos, terminada a sua licenciatura consigam satisfazer as necessidades do mercado de emprego e deixar-mos de continuar a assistir todos os anos sair das faculdades gente que obtem um curso que não lhe serve para nada, porque o mercado de emprego não lhe proporciona qualquer hipótese de colocação.

4 comentários:

fotógrafa disse...

Olá Raul, boa noite.
Obrigada pela visita.
Na verdade, voltámos a ser um país de emigrantes, aliás acho que nunca deixámos de ser...
mas, tudo tem também as suas vantagens, se assim não fosse, se calhar não teriamos oportunidade de ver as realidades das outras paragens por onde sempre andámos e andaremos.
Se analizarmos a situação pela visão de que a TERRA é um só país e a HUMANIDADE os seus cidadãos, então devemos ter livre acesso aos cantos do mundo...nós e os outros.
Isto é ver o MUNDO com uma prespectiva positiva, senão será melhor meter a cabeça na areia como a avestruz....e simplesmente ignorar.
Um abraço e bom fim de semana

Vieira Calado disse...

Concordo. Não encaram as coisas com seriedade.
E é a desgraça que se vê...
Bom Natal para si.

Bernardo Kolbl disse...

Está mesmo muito mau.
Bom domingo e um abraço.

SILÊNCIO CULPADO disse...

O problema do desemprego prende-se com vários factores que vão da incapacidade de manter, ou criar, postos de trabalho até ao facto de não haver real preocupação com os nossos valores. Nós temos excelentes licenciados em todas as áreas que estão a brilhar no estrangeiro e que saíram das nossas faculdades. Em Portugal, infelizmente, só os médicos têm garantida a colocação. Nem que seja para passar a certidão de óbito.