domingo, maio 21, 2006


Análise de 1,5 mil remédios
vendidos sem receita médica
na Alemanha revela que
apenas 40% são eficientes.
Alguns estão em circulação
também no Brasil.


No país das indústrias química e farmacêutica por excelência,
o lobby junto a médicos e farmácias é proporcionalmente
grande. Um estudo encomendado pela fundação Warentest,
que testa produtos para o consumidor, revelou que 40% dos
remédios que podem ser comprados sem receita médica na
Alemanha são eficazes, 40% são pouco eficazes e os 20%
restantes de eficiência duvidosa.

No teste, 30 pesquisadores analisaram as bulas dos 1,5 mil
remédios mais populares entres os alemães. Gerd Glaeske,
coordenador da pesquisa, admira-se com os princípios activos
encontrados: "Alguns produtos combinam álcool com ervas,
outros, ditos emagrecedores, funcionam à base de laxante."

A indústria factura 4,3 biliões de euros ao ano com o 1,6
bilião de embalagens de medicamentos vendidos sem receita
médica no país. Isso, entretanto, perfaz apenas um terço
do facturamento das farmácias. Para as receitas médicas,
são cobradas taxas fixas, proporcionais ao preço do
medicamento. O restante é pago pelos planos de saúde.
Nas farmácias alemãs, os balconistas são todos profissionais
do sector.

Manual orienta o consumidor

Como os médicos têm cada vez mais reduzidas suas cotas
de prescrição pelos planos de saúde, as pessoas tendem a
comprar cada vez mais nas farmácias. Neste sentido, a
pesquisa foi publicada em livro e serve de apoio aos
consumidores.

Além dos medicamentos considerados eficientes, o manual
de orientação contém ainda conselhos úteis para
tratamentos caseiros e uma lista que compara preços entre
os remédios com os mesmos princípios activos.

Objecto da análise foram os medicamentos mais conhecidos,
alguns inclusive no Brasil, como Otalgan, contra dor de
ouvido, e Nicotinell, para parar de fumar. Por se tratar de
gotas, tanto Otalgan como Otodolor dificilmente conseguem
atingir seu objetivo, se o tímpano estiver intacto. Já as
drogas Nicorette e Nicotinell foram avaliadas como
eficientes.

Aliviar de um lado, prejudicar de outro

Muitos cremes contra espinhas são criticados pelos
especialistas por conterem enxofre, que por sua vez pode
causar ou piorar a acne já existente. Problemáticos,
também, produtos já consagrados, como Wick MediNait
(do laboratório americano Vick), usado pelas pessoas
resfriadas para descansarem à noite. Os especialistas
advertem que a concentração de 18% de álcool pode ser
prejudicial ao fígado.

Já a cafeína, encontrada em muitos preparados contra
dor de cabeça, pode prejudicar os rins. O coordenador
do estudo lembra que 10% dos pacientes de diálise
sofrem de insuficiência renal porque consumiram muitos
analgésicos. Na lista dos produtos considerados
ineficientes, aparecem ainda pastilhas de acção limitada
quando a garganta estiver infeccionada ou drogas contra
distúrbios sexuais.

Uma das causas do problema, segundo a Warentest, é a
falta de informações independentes, em favor do
consumidor. Por isso, a ministra alemã da Saúde, Ulla
Schmidt, apela aos consumidores para que procurem
se manter informados.

A social-democrata avisou ainda que pretende mudar a
forma de lucro das farmácias e que em meados do
próximo ano deve ser publicada uma lista positiva de
medicamentos, a exemplo do que já é praticado em
vários países da União Européia.


da Deutsche Welle

E por cá será que não existirão medicamentos a serem
igualmente vendidos e de eficácia duvidosa. Desconfio
que sim.

5 comentários:

Sofocleto disse...

Quer isto dizer que 40% do tempo a mais que demoram as consultas nos centros de saúde, por causa dos gajos da propaganda médica que passam à frente, se traduzem em 40% de medicamentos inúteis pagos por nós? Impingidos pelos tais gajos da propaganda médica!

contradicoes disse...

Mas a culpa é apenas dos médicos que põem o interesse dos laboratórios acima do atendimento dos doentes, pelas razões que são conhecidas mas que o Alfredo Pequito não conseguiu provar, o que aliás seria um feito histórico.

zecadanau disse...

Amigão;
A Indústria farmacêutica é das maiores máfias do mundo.

Um @bração do
Zeca da Nau

augustoM disse...

Mas ainda duvidas? Os números cá na tasca devem ser ainda piores, com a lata com que a currupção e a falcatrua se passeiam nas ruas, isto deve ser um paraiso para os comprimidos de farinha.
Um abraço. Augusto

martelo disse...

confirmo que não há dúvidas, é mesmo!!