terça-feira, agosto 08, 2006

Espanha e Portugal enfrentam onda de incêndios florestais

Incêndios florestais são uma ameaça constante na Espanha e em Portugal durante os verões quentes e secos da região. Foram registrados nos últimos dias centenas de focos de incêndio nos dois países, a maioria deles intencional, segundo autoridades.

Na Espanha, uma unidade da guarda civil especializada na luta contra o crime organizado viajou nesta segunda-feira para a região da Galícia (noroeste), vítima de dezenas de incêndios florestais intencionais nos últimos dias, para investigar a situação.

Em Portugal, segundo o site do Serviço Nacional de Proteção Civil, quase 800 bombeiros, apoiados por 300 veículos, combatiam na manhã desta terça-feira sete incêndios que devastavam florestas no norte e sul do país.

O incêndio mais devastador era o de Valongo, nas imediações da cidade do Porto (norte de Portugal), onde, com a força do vento, se propagava por três frentes. No total, 330 homens e cem veículos combatiam as chamas. Um hidroavião e um helicóptero também serão enviados à região para ajudar nas tarefas.

Outro incêndio na cadeia montanhosa de Ossa, no distrito de Évora (sul), estava quase controlado na manhã desta terça-feira, depois de várias horas de trabalho de 200 bombeiros, auxiliados por 60 veículos.

Os demais incêndios avançavam no norte do país, nos municípios de Braga, Braganza, Porto e Viana do Castelo.

Portugal permanecerá em alerta máximo durante toda a semana por causa das previsões de altas temperaturas.

Com 546 focos de incêndios registrados no domingo, Portugal viveu o pior fim de semana desde 2003, informou Gil Martins, funcionário do Serviço Nacional de Bombeiros e Proteção Civil, durante uma entrevista coletiva concedida na segunda-feira à noite.

Martins pediu à população que permaneça alerta, pois 98% dos incêndios são provocados por negligência ou têm origem criminosa.

Espanha

Quase cem incêndios, muito próximos uns dos outros e sempre perto de zonas habitadas, seguem ativos nesta terça-feira na região da Galícia, segundo o governo regional.

Apoiados por 30 aviões, as unidades de luta contra o fogo, compostas por bombeiros e mais de 3.500 membros de brigadas florestais, combatem nesta terça-feira 64 incêndios. Outros 34 estão sob controle.

O Exército também ajuda nas tarefas de coordenação de proteção civil, especialmente nas retiradas das pessoas que moram em áreas de risco. Os militares também patrulham a região em busca de eventuais piromaníacos.

As autoridades locais consideram que a maior parte dos incêndios tem origem intencional.

As motivações para atear fogo vão desde conflitos entre fazendeiros e proprietários de zonas rurais para estender as áreas de pasto até transtornos de comportamento, segundo as autoridades.

Suspeito

A polícia espanhola deteve nesta segunda-feira o suposto autor de um incêndio florestal na localidade galega de Cerdedo. O fogo já matou três pessoas e destruiu milhares de hectares, segundo fontes oficiais.

O suposto piromaníaco, um jovem de 24 anos cuja identidade não foi divulgada, permanece detido nas dependências da Guarda Civil enquanto espera uma decisão judicial, segundo um comunicado do Conselho (ministério regional) do Meio Rural da Galícia.

O jovem foi detido graças à colaboração dos cidadãos. O Conselho exorta os cidadãos a ajudar a polícia com dados sobre incêndios que assolam a Galícia.

O incêndio de Cerdedo, que continuava ativo na noite de ontem, queimou mais de 3.000 hectares e provocou a morte de duas mulheres na sexta-feira passada. Elas ficaram presas em seu veículo rodeado pelas chamas na estrada entre Cerdedo e Cotobade.

Além destas duas mulheres, um homem de 74 anos morreu combatendo um incêndio florestal que queimou milhares de hectares no nordeste da Espanha.

Segundo o porta-voz regional da área ambiental Alfredo Suarez Canal, a maioria dos incêndios recentes foi causada deliberadamente.

Mortes

Já chega a três o número de mortos em incêndios na região da Galícia desde quinta-feira (3). Um homem de 74 anos morreu combatendo um incêndio florestal que queimou milhares de hectares no nordeste da Espanha, segundo informações divulgadas ontem por autoridades regionais.

A vítima, identificada como Manuel Aprada Fontella, foi encontrada na noite deste domingo perto da cidade de Campo Lameiro, na região da Galícia. Aparentemente foi atingido pelas chamas quando tentava apagar um incêndio com a ajuda de vizinhos. A Galícia já teve cerca de 5.000 hectares de vegetação perdidos, segundo autoridades.

Durante o fim de semana foram reportados 91 pontos de incêndio na Galícia. Autoridades regionais pediram ajuda ao Exército espanhol para controlar o fogo.

O número de incêndios que queimaram mais de 1 hectare caiu de mais de 6.200 em 2005 para menos de 3.000 em 2006, no período de janeiro a julho, segundo números oficiais. Em 2005 foram queimados 94.445 hectares e em 2006 o número baixou 35.870 hectares.

As autoridades atribuem o queda no número de incêndios a medidas preventivas, incluindo a proibição de churrascos em regiões secas, e campanhas mais eficazes para limpar o lixo de estradas e remover folhas e galhos secos de florestas.

da Folha Online

Provávelmente na região Galega surgiram os mesmos interesses que existem em Portugal e o transformam em todos os verões num verdadeiro braseiro. Entretanto os pirómanos que são quase sempre os mesmos andam cá fora com termo de residência e a obrigação de se apresentarem na esquadra da polícia mais próxima dentro das horas de expediente, porque fora delas, eles continuam possibilitados de atearem outros fogos.

2 comentários:

lazuli disse...

o que é estranho é que Espanha tem ao seu dispôr meios próprios para combate aos incêndios, mas nós não. Paga-se à hora, e bem, pelo que consta.

beijos, Raul

Macillum disse...

Fogos, seca, corrupção política, manipulação da informação, ordenados muitíssimo abaixo do custo de vida, elevadas taxas de desemprego, encerramento das maternidades, encerramento de quartéis, corte de subsídios à P.S.P. e à P.J., silenciamento e omissão de informação no caso Casa Pia, centrais nuclares, etc., etc., etc... o que é que está a acontecer a Portugal?