quarta-feira, abril 12, 2006


Cientistas do Instituto de
Pesquisas Farmacológicas
Mario Negri, em Milão,
concluíram um estudo que
indica que o alto nível de
colesterol pode estar
relacionado com uma maior
propensão ao câncer de
próstata.


Os pesquisadores analisaram dados de 2.745 homens, mas,
em um artigo nos Anais da Oncologia, eles disseram que
ainda precisam realizar novos exames para comprovar a
relação.

Apesar disso, eles acreditam que a explicação pode estar
no fato de o organismo utilizar o colesterol para produzir
hormônios masculinos que estariam ligados ao câncer de
próstata.

"Os hormônios andróginos, que têm um papel fundamental
no tecido da próstata, são sintetizados a partir do colesterol,
o que sugere uma relação biológica entre a substância e o
câncer", disse Cristina Bosetti, uma das autoras da pesquisa.

Vesícula

Ao realizarem as análises, os especialistas descobriram que
os homens com a doença apresentavam altos índices de
colesterol.

A associação era particularmente forte entre aqueles que
foram diagnosticados antes dos 50 anos de idade ou depois
dos 65 anos.

Ambos os grupos tinham 80% mais chances de apresentar
colesterol alto que os homens sem câncer.

O estudo também mostrou que pacientes que sofrem da
doença tinham 26% mais chances de apresentar pedras na
vesícula biliar. Os homens mais magros pareceram ser os
mais vulneráveis.

"Os cálculos biliares também estão relacionados com o
colesterol alto, pois muitas vezes são compostos pelo
colesterol", explicou Bosetti.

"Portanto essa relação direta que descobrimos entre as
pedras na vesícula e o câncer de próstata, apesar de ser
insignificante estatisticamente, sugere um mecanismo
biológico semelhante que pode explicar a ligação."

Bosetti afirmou ainda que existem indícios de que
remédios usados para baixar o colesterol podem proteger
contra o câncer de próstata.

Apesar disso, ela admite que estudos que investigam essa
questão ainda são limitados e inconclusivos.

Dieta

Outros especialistas classificaram as descobertas dos
cientistas italianos como plausíveis, mas questionam a teoria
sobre o colesterol.

"Existem muitas evidências de que a dieta é um dos fatores
para o desenvolvimento do câncer de próstata", afirmou Nick
James, oncologista da Universidade de Birmingham, na
Grã-Bretanha.

Ele cita como exemplo o fato de a doença ser mais comum em
países do norte da Europa, onde o consumo de gordura animal
é alto.

"Esta nova pesquisa traz uma mensagem positiva, ao sugerir
que as próprias pessoas podem fazer algo para reduzir as
chances de sofrerem desta doença que já está entre as
principais responsáveis por mortes em homens", disse James.

Entretanto, o cientista britânico se diz pouco convencido pela
idéia do papel fundamental atribuído aos hormônios masculinos.

Segundo ele, algumas das substâncias utilizadas para "quebrar"
o colesterol são reconhecidamente cancerígenas.

Para Chris Hiley, da organização não-governamental Prostate
Cancer Charity, ainda são necessários novos estudos.

"Enquanto isso, é importante que as pessoas se conscientizem
quanto ao valor de uma dieta equilibrada e variada.
Nós incentivamos os homens a cortar o consumo de alimentos
gordurosos, além da carne vermelha, e a comer mais peixes,
alimentos ricos em fibras, frutas e legumes", disse Hiley.

da BBC Brasil

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