terça-feira, janeiro 17, 2006


Imprensa européia vê com
um pé atrás a eleição do líder
cocalero Evo Morales à
presidência da Bolívia.
Radicalismo do eleito e seus
planos de nacionalização do
setor energético podem
espantar investidores
estrangeiros e agravar a crise do país.


"Se eu for eleito, será um verdadeiro pesadelo para os
Estados Unidos", disse Evo Morales, antes do pleito de
domingo (18/12), no qual obteve a maioria absoluta dos votos
dos 3,6 milhões de eleitores bolivianos.

Na opinião de alguns jornais europeus, há indícios de que
Morales pode se tornar um pesadelo não só para os EUA.
Algumas empresas da França, Espanha e Inglaterra já
partilham com a Petrobras a preocupação com o plano do
novo presidente de estatizar o setor energético, incluindo o
gás natural, do qual a Bolívia tem a segunda maior reserva
da América do Sul.

A eleição de Morales não chegou a surpreender os europeus,
como mostram os editoriais de vários jornais, nesta terça-feira
(20/12). Mas o tom dominante nas análises é de ceticismo
em relação ao futuro da Bolívia.

Onda esquerdista

Segundo o El Periódico, de Barcelona, "com Morales, chegou
a hora da recompensa dos índios, que formam a maioria
da população da Bolívia, mas até agora praticamente não
estiveram representados na elite política. Morales quer
estatizar os recursos naturais, mas prometeu não
desapropriar as petrolíferas. Ele agora precisa provar que
não sabe apenas realizar protestos e, sim, fazer uma política
realista de governo".

"Provavelmente, muitas coisas vão mudar após a eleição de
Morales, comprometido com as massas indígenas, opositor
da política de Washington, partidário das mobilizações de
rua como expressão do poder popular, e advogado da
nacionalização dos recursos energéticos do país mais pobre
da América do Sul. A vitória de Morales, que gosta de
ressaltar sua amizade com Fidel Castro e Hugo Chávez,
reforça também inequivocamente a virada indigenista e
esquerdista de uma parte da região", opina o El País, de Madrid.

Fosso social é profundo na Bolívia
Na avaliação diário suíco Neue Zürcher Zeitung, "Morales
tem mostrado mais instinto populista e demagógico do que
senso para as regras da democracia. Agora, espera-se dele
habilidade integrativa num país, cuja sociedade está dividida
por fossos profundos".

"Cinco governos diferentes em oito anos, dois presidentes
derrubados em dois anos pelos protestos de rua – há algo
de frívolo em chamar a Bolívia de democracia", escreve o
editorialista do Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ).
"A eleição de Morales não foi uma troca de poder flanqueada
por instituições políticas e, sim, uma rebelião (pacífica) da
maioria indiana do país", continua o jornal.

Segundo o FAZ, "a intenção populista de Morales, de
novamente estatizar o setor energético privatizado em
1996, pode espantar os investidores estrangeiros e ser a
gota d'água".

Da Deutsche Welle

Segundo este analista alemão o populismo demagogo de
Evo Morales em nacionalizar o melhor recurso que o Pais
dispõe para tentar melhorar as condições de vida da
população mais desfavorecida é prejudicial porque vai
com essa atitude espantar os investidores privados. Deve-se
ralar para isso pois o importante é ajudar os que mais
precisam e não continuar a favorecer os gulosos dos
exploradores.

3 comentários:

Biranta disse...

Apetece dizer: Viva o Morales!!!

martelo disse...

pois é, mas vão comer...
veremos.

on disse...

Também diziam o mesmo do Lula...
O Morales merece os tradicionais cem dias. Não é pedir muito!

http://daprosa.blogspot.com/2006/01/evo-morales-coca-cola-e-folha-de-coca.html