segunda-feira, janeiro 16, 2006








Num dia histórico, a
primeira presidente eleita
do Chile, Michelle Bachelet,
de 54 anos, disse que
demonstrará que o país
pode "avançar, sem perder
a alma".

Com a voz às vezes embargada, ela avisou que
implementará um novo estilo de governar "com mais diálogo"
com os diferentes setores.

Emocionada, Bachelet falou para uma multidão que gritava
seu nome, erguia bandeiras do país, dos partidos da
Concertación, a frente governista, com fotos do ex-presidente
socialista Salvador Allende e o ex-guerrilheiro argentino
Ernesto "Che" Guevara.

Michelle subiu ao palco cercada por quatro mulheres e um
homem - sua mãe, Angela Jeria, de 79 anos, e os filhos,
Sofia, de 12 anos, Francisca, de 21 anos, e Sebastián, de 27
anos, ao lado da namorada.

Mulher presidente

"Que eu esteja aqui e seja a mulher presidente do país é
a prova de que o Chile perdeu seus medos. Quem poderia
imaginar uma mulher aqui há vinte, dez ou cinco anos?",
afirmou.

"Parecia difícil, foi difícil, mas foi possível porque assim os
cidadãos quiseram e a democracia permitiu". A multidão
delirava, aos gritos de "Michelle, Michelle".

Ela lembrou que teve uma vida difícil, mas disse: "E quem
não teve vida difícil?". A presidente eleita agradeceu,
principalmente, aos votos das mulheres, maioria no
eleitorado chileno e decisivas para sua vitória frente ao
candidato da oposição, o empresário Sebastián Piñera.

"Mas a partir do dia 11 de março, não serei só a primeira
presidente do Chile, mas governarei para todos os chilenos".

Vestida de terninho azul petróleo, ela lembrou que tem
apenas quatro anos de mandato e que não pode perder
tempo. O que explica, de certa forma, o café da manhã que
terá, nesta segunda-feira, com o presidente Ricardo Lagos.

"O Chile ganhou de novo", disse ela, em referència à nova
vitória da Concertación. Pouco antes, Lagos fez um
pronunciamento e lembrou da importância desta base
governista - formada por quatro partidos de centro-
esquerda - que foi decisiva para que a direita, como
recordou o ex-presidente Patricio Alwin, não voltasse
ao poder.

E quando a presidente eleita citou o nome do
presidente Ricardo Lagos - como homem "de grande honra"
- a multidão gritou: "Lagos, Lagos". Ao que ela, sorridente,
disse:

"Mais alto para que se possa escutar no Palácio presidencial
de La Moneda".

Morte do pai

Durante seu discurso, Bachelet provocou lágrimas ao lembrar
do pai, general da Força Aérea do Chile, Alberto Bachelet,
morto depois de não suportar a tortura, na prisão, durante o
regime autoritário de Augusto Pinochet.

"Eu queria poder abraça-lo agora. Mas sei que de uma forma
inexplicável ele está perto de mim". Bachelet disse que do
pai herdou o amor, "indiscriminado", pelo Chile e o espírito
de ordem.

"A violência entrou na minha vida, destruindo o que eu
amava. Fui vítima do ódio, mas consegui convertê-lo em
compreensão, tolerância e, porque não dizer, em amor",
disse.

"Pode-se amar a justiça e, ao mesmo tempo, ser generosa.
Porque o Chile se reencontrou e porque avançamos muito
e meu governo será de unidade. Governarei para todos os
chilenos".

Ela disse que não é a primeira vez que o Chile surpreende
o mundo. Segundo ela, após 17 anos de ditadura, o país
caminhou dentro das instituições.

Disse ainda que quer implementar suas prometidas medidas
sociais para tentar reduzir a desigualdade no país, uma das
piores da América Latina apesar dos sucessivos anos de
crescimento econômico.

Sediado em Santiago, o secretário da Cepal, o argentino
Jose Luis Machinea, sugeriu que o Chile é um exemplo de
que o crescimento não é suficiente para combater a
concentração de renda.

Segundo o cientista político Guillermo Holzman, da
Universidade do Chile, os 5% mais ricos do país concentram
cerca de 80% da renda nacional.

Acompanhando Bachelet, os eleitores cantaram o hino
nacional, mas pouco antes de que ela subisse ao palco,
acompanharam um grupo de músicos mexicanos, outro
de música chilena, e até um representante dos mapuchos,
que usou um berrante.

da BBC Brasil

Aqui está uma prova de maturidade dos chilenos. Foi
para eles suficiente o período de ditadura de Pinochet para
desejarem colocar o poder nas mãos de reacionários da
direita. Nós por cá vamos continuando a carregar com
com a cruz até ao calvário.

1 comentário:

martelo disse...

bem nos lembramos o que aconteceu no passado; os texanos são sensíveis a estas escolhas...